• Nélia Duarte

os anos 20 que ainda faltavam viver

Acabo o ano com cores fortes e começo os anos vinte com branco ligeiramente sujo de cor. 


Aplicar tinta com espátula é um processo que me agrada sempre, (muito, devo acrescentar) pela rapidez e pela imprevisibilidade da textura que deixa na tela, nem sempre controlada.  Acrescentei a esse processo o rasgo com a ponta da espátula abrindo caminho pela camada de tinta espessa. E foi um momento muito vivido espontâneo e feliz, principalmente na primeira tela (à dta) ; porque na segunda (à esq)  já foi tudo mais controlado, porque pensado, logo na aplicação da tinta diferenciando campos por cor; sulcar com a espátula já só contornou as figuras.


A escolha do nu nesta série de tinta desmaiada e aplicada com espátula é, para mim, óbvia. A expressão do corpo afectuosamente suavizada pelos tons. Parece-me justo afirmar que é uma série de princípio, de começos, maternalidade, vida, amor; mãe


Não consigo encontrar cá em casa o albúm "resistir é vencer" do Zé Mário; ainda assim ouço -o:

" Salvo pelo amor | Não existe derrota para a dor | Com o seu capital triturador | Não tem deus nem senhor É simplesmente dor | Que o que faz questao de ser |Sem entender | que a vida toda surgiu Dum sol que nunca se viu | Nem sei se existe "


Há homens que não nos deviam morrer. Pela falta que iremos sempre sentir; dos risos, dos abraços, das controvérsias disputadas sem rendição, da cumplicidade, do amor... e da poesia, das notas musicais.

De como eles eram, e foram e seriam se estivessem vivos, é coisa que nem é preciso dizer; quem os soube perceber, soube, sempre soube.

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© Nélia Duarte  

Lagos, Algarve

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