• Nélia Duarte


Únicos & singulares é um documentário que aborda a forma como a arte é usada na reabilitação de pessoas com experiência de doença mental. Filmado em três grandes instituições dedicadas à saúde mental, Casa de Saúde do Telhal (Belas, Sintra), Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa/ Hospital Júlio de Matos (Lisboa) e Hospital de Magalhães Lemos (Porto), o documentário acompanha grupos de utentes que desenvolvem diferentes práticas artísticas: desenho e pintura, cerâmica, poesia, teatro, coro.

"na expressão artística há mais liberdade [do que na expressão verbal de comunicação] e se de repente eu pegar num pincel e pintar um traço encarnado na parede, isto evoca-me uma coisa qualquer e a partir daí sou eu próprio que estou a comandar as minhas reações e isso organiza-me e pode criar novas oportunidades. Pode criar um mundo mais próprio e que não entre tanto em conflito com os outros. Porque uma das coisas que existe na doença mental é conflito com os outros, e o conflito é muito verbal, de comunicação" Alexandre Castro Caldas, professor catedrático de neurologia.


Fernando Azevedo, poeta, residente há dez anos na Casa de Saúde do Telhal, à questão «e porque é que escreve?» responde de pronto, «porque é necessário!»

acrescenta ainda, posteriormente, que é um maluco à sua conveniência.

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  • Nélia Duarte

Quem visitar, a partir do menu, o separador «desenho - 2022» já deve ter percebido que ultimamente só tenho desenhado com marcadores permanentes que tem a propriedade de secar instantaneamente.

Tenho usado papel e marcadores com uma insistência e abundância que já devo ir nas três centenas. Num primeiro momento marcadamente abstrato, com resultados que me surpreenderam pela facilidade e alguns pelo equilíbrio das formas, as cores estão mais ou menos limitadas ao preto, azul, vermelho e verde, as mais vulgares neste tipo de marcador, de ponta grossa, redonda e/ou triangular; geometrias, que são sempre o meu apoio pela necessidade de concreto, e a constante e dificil simplificação do traço foi o que me orientou no abstrato. Papel A4 de boa gramagem mas também liso. Raramente A3. Posteriormente passei ao figurativo com uma ou outra expressão de movimento e também de simplificação.

Para legendar o discurso, escolhi representações de desenhos um pouco ao acaso pela dificuldade que é para mim, ainda, observá-los a todos e escolher um ou outro.




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  • Nélia Duarte

"(…) às vezes a criança não sabe que tem uma coisa para dizer. Tem angustias que ela descarrega partindo objectos, estragando coisas, fazendo partidas às outras pessoas, batendo nos companheiros, cometendo actos de indisciplina na escola sem que haja uma razão plausível, uma explicação compreensível, razoável. E a maior parte das vezes a criança não tem noção de que aquilo é susceptível de ser dito.

E é aqui que entra, em grande parte, o papel da educação estética, seja em que ramo for, das artes plásticas, das artes visuais, da música ou de outra coisa qualquer, porque aí a criança cria situações, cria temas, cria cor nas ideias e isso permite-lhe uma melhor compreensão para si própria daquilo que se passa com ela." [João dos Santos em conversas com João Sousa Monteiro, publicadas pela Assírio & Alvim em "eu agora quero-me ir embora" ]

Nos últimos cinco anos da minha vida estive presente no dia a dia vivido de centenas de crianças e jovens. Não vou estar mais, pelo menos da forma tão presente como estive. Não sei se vou ultrapassar a falta que deles irei sempre sentir mas gostava muito que nunca lhes faltasse uma pessoa que os possa ouvir sem os julgar, e que também saiba respeitar os seus silêncios. "Criar cor nas ideias" tem sido a minha melhor saída para a vida. Penso ter sabido transmitir-lhes a importância desse colorido.





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