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  • Nélia Duarte

Nada é pensado. Ou pelo menos eu não dou por ser. Mas depois de feito, se me der tempo a mim mesma para interpretar chego a uma compreensão que muitas vezes excede a minha própria expectativa; tudo de repente parece ser fruto de um planeamento bem estruturado com vista a representar uma ideia.

No fundo esta "habilidade" acidental podia mesmo ser um bom resumo para a história da minha vida, no que verdadeiramente interessa: a expressão da mesma.

O resto é sangue, suor e lágrimas e isso não interessa a ninguém.

Recentemente pintei duas peças que teriam que se enquadrar num tema, tema esse que me afastou no início e de imediato do propósito; só a ele voltei por me ter sentido comprometida e em dívida com a pessoa que amavelmente me fez saber do adiamento de prazos e me incentivou a participar.

Levei mais tempo a pensar que não havia nada que me ocorresse fazer e a insistir no seguimento de um esboço que fui riscando enquanto me desprezava pela inoperância intelectual do que o tempo que levei entre o começo e o fim das tintas. Quando escrevi as memórias descritivas do trabalho (obrigada por regulamento) é que percebi como tudo aquilo fazia sentido, tudo, mesmo o que eu não sabia fazer.



marcadores, tinta, A4

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  • Nélia Duarte


Únicos & singulares é um documentário que aborda a forma como a arte é usada na reabilitação de pessoas com experiência de doença mental. Filmado em três grandes instituições dedicadas à saúde mental, Casa de Saúde do Telhal (Belas, Sintra), Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa/ Hospital Júlio de Matos (Lisboa) e Hospital de Magalhães Lemos (Porto), o documentário acompanha grupos de utentes que desenvolvem diferentes práticas artísticas: desenho e pintura, cerâmica, poesia, teatro, coro.

"na expressão artística há mais liberdade [do que na expressão verbal de comunicação] e se de repente eu pegar num pincel e pintar um traço encarnado na parede, isto evoca-me uma coisa qualquer e a partir daí sou eu próprio que estou a comandar as minhas reações e isso organiza-me e pode criar novas oportunidades. Pode criar um mundo mais próprio e que não entre tanto em conflito com os outros. Porque uma das coisas que existe na doença mental é conflito com os outros, e o conflito é muito verbal, de comunicação" Alexandre Castro Caldas, professor catedrático de neurologia.


Fernando Azevedo, poeta, residente há dez anos na Casa de Saúde do Telhal, à questão «e porque é que escreve?» responde de pronto, «porque é necessário!»

acrescenta ainda, posteriormente, que é um maluco à sua conveniência.










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  • Nélia Duarte

Quem visitar, a partir do menu, o separador «desenho - 2022» já deve ter percebido que ultimamente só tenho desenhado com marcadores permanentes que tem a propriedade de secar instantaneamente.

Tenho usado papel e marcadores com uma insistência e abundância que já devo ir nas três centenas. Num primeiro momento marcadamente abstrato, com resultados que me surpreenderam pela facilidade e alguns pelo equilíbrio das formas, as cores estão mais ou menos limitadas ao preto, azul, vermelho e verde, as mais vulgares neste tipo de marcador, de ponta grossa, redonda e/ou triangular; geometrias, que são sempre o meu apoio pela necessidade de concreto, e a constante e dificil simplificação do traço foi o que me orientou no abstrato. Papel A4 de boa gramagem mas também liso. Raramente A3. Posteriormente passei ao figurativo com uma ou outra expressão de movimento e também de simplificação.

Para legendar o discurso, escolhi representações de desenhos um pouco ao acaso pela dificuldade que é para mim, ainda, observá-los a todos e escolher um ou outro.




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