• Nélia Duarte

Não foi a idade que tornou mais firme a minha mão ou, se quiseremos, que me capacitou de uma maior determinação e certeza; foi o treino.


Este perfil, parecendo, não foi feito com lápis, foi com esferográfica, tinta, em poucos movimentos.


A cor é pastel óleo. Outra experiência para dar continuidade: pastel de óleo por cima de tinta de esferográfica.











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  • Nélia Duarte

Regra geral os falantes de português referem os títulos das pinturas como uma parte importante do que está exposto.

Neste último sábado, o 4º, uma rapariga que está a aprender português (não sei qual a língua materna dela, acabámos por comunicar em inglês durante grande parte da conversa) também referiu isso. Disse-me ainda que para cada uma das telas ali expostas se podia contar/escrever uma história/narrativa. Talvez com esse pensamento presente, ao escrever no caderno de depoimentos que fez questão de deixar em português (penso que usando um tradutor), registou: (…) "as caras das pessoas são expressivas e têm segredos que querem ser conhecidos"(…). Pode muito bem acontecer em breve. Fiz um ou outro desenho irrelevante, e depois limitei-me a deslizar a ponta da bic cristal no papel criando sombras e avivando aqui e ali muito rapidamente. Não houve espectáculo e uma aragem fresca de sueste arrefeceu a tarde. "Etelvina com seis meses já se tinha de pé /Foi deixada num cinema depois da matuinée/Com um recado na lapela que dizia assim /Quem tomar conta de mim

Quem tomar conta de mim /Saiba que fui vacinada /Saiba que sou malcriada(...)" [ Etelvina - Sérgio Godinho ]




Etelvina com seis meses já se tinha de pé
Etelvina

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  • Nélia Duarte

Os meus últimos trabalhos voltaram a construir-se no retrato. E há um que me prende de cada vez que o observo. Porque gosto do resultado e sei que o comecei e acabei quase sem levantar o pincel. Há trabalhos assim, que não nos levantam qualquer dúvida no decorrer e, muito importante, sabemos que estão completos quando se levanta o pincel. Também quando, passados dias e já superficialmente seco, não lhe pressentimos qualquer incómodo. Perguntava-me a psicóloga na entrevista:

- e daqui a cinco anos? o que se vê a fazer daqui a cinco anos?

E eu, sem qualquer dúvida, a responder-lhe: - a pintar. Seguramente a pintar! É só isso que eu sou capaz de me pensar a fazer daqui a cinco anos. E cinco anos é tanto tempo que nem me atreveria a ver-me se não me pedisse que o fizesse. E cá estou eu.





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