Seguir um guião é como o desenho à vista. Depende muito mais da disciplina de trabalho, método, correcção do que da espontaneidade, do estar aqui e estar ali, da descoberta do que vai aparecendo, esse entusiasmo com tudo o que nos surpreende. Vem isto a propósito de andar com muita vontade de fazer uma animação by the rules mas só entravo. Desde logo preciso de uma história curta risível e fácil de contar por imagens; e animadas! o que só dificulta…

Vou fazendo capturas em tempo real do que vou desenhando nas tardes de sofá com a minha cadela a empurrar-me o braço e a dificultar-me a posição. Quando começo a submergir no traço é um tempo de prazer imenso que me impede de querer sair dele, e vou ficando até sentir sede e dor lombar. Fiz uma ou outra experiência usando fotos e voltei ao desenho básico, à forma mais elementar e sempre de bom resultado: ao traço.

aqui numa paisagem que resulta sempre, horizonte recortes de elementos;

aqui com a memória de Mademoiselle Anita no salão de baile «La Boule Rouge», do fotografo Robert Doisneau;

aqui duas das inúmeras personagens que me habitam;


Bowie tinha capacidades vocais únicas e excepcionais, isso percebe-se sempre que o ouvimos mas é particularmente notável quando se ouve May Way que já se ouviu pela voz de outro que foi considerado a "voz". Bowie supera Sinatra, penso, ouvindo-o, num daqueles momentos em que só por isto apetece chorar.

"For what is a man, is it just aught? | What is a man but just a blot? |To say the things he truly feels and not the words of one who kneels |The records sold, and life was gold, I did it my way"

  • Nélia Duarte

Gravei imagem a desenhar numa foto e só depois, como é hábito em mim pensar tudo, me apercebi que o método usado é o mesmo que uso quando pinto a óleo e daí a minha necessidade de dar camadas de tinta na tela antes de começar propriamente a dar-lhe pinceladas de algum significado. Digamos que a minha cabeça está em branco - não totalmente, porque a propensão é dar significado a qualquer coisa - e é perante manchas, sujidade, luz, sombra, que eu construo o entendimento e a execução. Tudo aqui é muito rápido, não é só por ter acelerado o vídeo, tal como com o pincel, porque a partir do momento que eu compreendo o que ali está há uma certa urgência em fixar visivelmente antes de começar a compreender outra coisa.

clicar na foto para ver vídeo


  • Nélia Duarte

As tardes de cinema em lockdown, quando é possível, decorrem entre uma série ou outra e um filme que passe num dos canais a que tenho acesso que não são muitos. Calhou-me 'from dawn till dust' um filme de 1996 dirigido por Robert Rodriguez e escrito por Quentin Jerome Tarantino, no que terá sido o seu primeiro guião pago, pelo que li. Tarantino [Richie Gecko] e George Clooney[Seth] são dois irmãos foragidos do FBI que, até entrarem no clube de strip 'Titty Twister', nos fazem sentir sem qualquer sombra de dúvida dentro de um filme de Tarantino. Depois há um excesso de maquilhagem e efeitos aterradores e terríficos, que terão feito deste um filme de culto, que eu já só vou acompanhando visualmente enquanto faço a colagem que ilustra este apontamento. E não foi o Clooney que escolhi porque o Tarantino é que é o tal.

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