• Nélia Duarte

Quando as palavras não bastam

Quando as palavras não bastam ou não se encontram haverá sempre um abraço e um coração a bater no outro. Lembro-me com alguma frequência de ter visto publicada a foto de uma bela escultura da artista RoMP (Rita Pereira [em homenagem a Matthias Sandeck, jovem atleta algarvio falecido em competição de pesca submarina em 2019] e de a ter lido em palavras poéticas e bonitas sobre a sua escultura. Comentei, o que seria de nós sem a poesia, e fi-lo numa aproximação ao que ela mesma sentia. Porque, e apesar do belo que se produza, subsiste a necessidade de chegar mais além, de tocar os intocáveis; e mesmo sem os tocar a certeza de que a poesia é o máximo que podemos para perceberem, ao menos, o quanto gostamos daquilo que fazemos. Ouço incansavelmente, porque eu sou de insistir até à exaustão, 'all things beautiful' do Nick Cave & Warren Ellis (e tanto melhor e mais bonito que os meus ouvidos já ouviram) desenho figuras que gritam e também outras, porque há gritos que eu ouço, sem ouvir. Sinto-os. Nos ouvidos, na cabeça, no corpo. A vida é injusta para qualquer mãe que perca um filho e eu só queria aliviar tanta dor e nem a que me cabe - por partilha de um coração a bater no outro - eu consigo, por mais desenhos que faça e por mais que ouça "all things beautiful". Nem poesia.





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