• Nélia Duarte

prólogo ao modernismo

Gaspard Félix Tournachon, ou Nadar como ficaria a ser conhecido organizou uma exposição em que, contrariamente ao que era então hábito, não houve júri e foram os próprios artistas que seleccionaram as obras expostas sem que nenhum especialista em arte os pudesse censurar ou excluir, alegando traição à tradição académica. Esses artistas viriam a ser conhecidos como impressionistas e sobre o movimento Pierre-Auguste Renoir disse «uma manhã, um de nós esgotou a tinta preta; e foi o nascimento do Impressionismo». A primeira exposição impressionista de Nadar foi também a primeira em que não houve júri. Tudo isto aconteceu nos finais do Sec. XIX em Paris. Não teria sido por acaso que Nadar impulsionou este acontecimento percebendo o valor artístico desses pintores e da sua nova abordagem à realidade, a sua experiência com fotografia com uma textura grosseira assemelhava-se muito às pinceladas das pinturas impressionistas.


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Na literatura, Wirginia Wolfe que afirmou "sono, essa deplorável redução do prazer da vida" com a qual eu não concordo, não só porque no sono continuo a viver mas também porque o faço com qualidade fisíca e, muitas vezes, com exercícios mentais proveitosos, é considerada uma autora impressionista, assim como Rimbaud, o Poeta de quem é o poema conte que começa assim: "Un Prince était vecé de ne s'être employé jamais qu'à la perfection des générosités vulgaires" | "Aborrecia-se um príncipe porque apenas se dedicara a aperfeiçoar generosidades vulgares" (trad. Mário Cesariny).

Posto isto, e para concluir, Impressionismo já era, como se costuma dizer. E eu ando às voltas com desenho e cor mas não sei - absolutamente - se há algum epíteto (nem sei se é a palavra correcta) que um dia me faça pertencer a um movimento qualquer.

1, jan, 2019


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© Nélia Duarte  

Lagos, Algarve

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