• Nélia Duarte

Pablo Picasso


Picasso sempre trabalhou espontâneamente, deixando que a técnica e o estilo do tratamento jorrassem do tema a tratar. "uma pintura não é preconcebida nem predeterminada; enquanto está a ser feita, segue a inconstância da ideia", foi como ele o expôs.

Na sua obra, Picasso atravessou toda a gama de expressão e formas de pintura moderna, descobrindo incontáveis novas províncias. Mas nunca sacrificou a realidade à forma pura, estética, nem se satisfez com jogos cromáticos. A sua maneira de trabalhar - imediata e partindo inteiramente das sugestões do seu inconsciente - foi um sinal da liberdade espiritual e, em última instância, da grande tolerância que se expressou comoventemente através do entusiasmo que Picasso mostrava em relação à obra de outros artistas, em especial dos talentos mais jovens, mesmo que pouco mais fossem do que medíocres. Ao longo da vida Picasso encorajou jovens artistas e nunca os desencorajou. Essa atitude revela que a aparente arbitrariedade e inconsistência das suas contínuas mudanças estilísticas foram, na realidade, um processo lógico, independentemente da moda e efémeros estilos da altura. A única coisa capaz de pôr Picasso inseguro era a dúvida em relação a si mesmo, o que, no final de contas, é um sinal do seu espírito crítico e criativo.


transcrição do livro "Arte do Século XX" páginas 212 e 213

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© Nélia Duarte  

Lagos, Algarve

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