• Nélia Duarte

Lagos, a última estação

Pintei diariamente durante o mês de Julho, o meu mês de férias. Procurei juntar um número razoável de trabalhos que, com outros dos últimos dois anos, permitissem uma selecção a expor. Figurativo, no feminino, foi por onde me movi grande parte do tempo. Mas não só. Após um mês intenso respirei fundo e aligeirei numa tela que vive na parede da minha sala e já teve várias versões [esta]. Depois dessa peguei em outras que já tinham sido vistas por públicos e tinham deixado de fazer sentido para mim; um processo habitual: reciclagem. Passei a azuis e brancos, e tons ensolarados. Era Agosto. [aqui] e [aqui] Ainda nesse mês dei tinta numa tela, cores de areia e azul céu. E foi nessa tela que usei espátula pela última vez antes de estar aqui a escrever. A tela, [well, that figures, Cyril!] Não sei se estou a entrar noutra fase, mas estou a ir sem resistências de maior o que é bom. Faz dias estive numa palestra comemorativa dos 25 anos do LAC-Laboratório da Artes Criativas - Programa conhecimento, Lagos e as Artes com João Pinharanda, historiador de arte, crítico de arte e comissário, e com moderação do artista plástico A. Pedro Correia. João Pinharanda falou dos artistas plásticos que se encontraram e residiram em Lagos, a minha cidade, nos anos sessenta, setenta; António Palolo, António Charrua, João Cutileiro, Alvaro Lapa, Joaquim Bravo,... Joaquim Bravo , o que mais próximo está de mim pela vivência escolar, e que desenhava com bastante regularidade em papel manteiga que comprava numa pastelaria perto de casa.


2021, desenho digital [justiça]

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