• Nélia Duarte

Essa miúda

É normal que o primeiro traço ou a mancha de tinta na tela me remeta sempre para a figuração do ser humano e eu até posso contrariar essa tendência, mas acabarei sempre por ir lá parar.


Muito facilmente começo com um traço e já o traço se manifesta no ângulo do nariz, no trejeito de uns lábios para, depois, chegar a um olhar diante de mim; o olhar que, na maioria das vezes, é o que melhor define a expressão. Mas nem sempre; muitas vezes é a postura que melhor transmite, parece-me, essa expressão.

Esta miúda, a última tela. Estabeleço uma ligação ao Jorge Palma, ou melhor, a uma faixa do seu álbum "só" -


| Essa miúda é uma fogueira que te acende as noites em qualquer lugar e tu desejas arder com ela enquanto bebes o perfume que ela deita nos seus trapos de cor para te embriagar |


- porque na tela, tal como na letra da música, é tudo muito jovem, bonito, lírico, perfumado. Não foram os olhos que me deram o mote, mas o nariz primeiro e depois os lábios; em duas ou três pinceladas, numa proximidade de observação, tacto e sentir, que eu diria de ternura. É nesse envolver, nessa aproximação física, nesse gostar, que eu muitas vezes concretizo um resultado agradável e, também, que torno fácil o que me parece por vezes mais difícil.


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© Nélia Duarte  

Lagos, Algarve

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