• Nélia Duarte

até porque ensino artístico eu só fiz geometria descritiva

Picasso dizia que cada pincelada é um trabalho de precisão. E apesar da sua brilhante habilidade não deixou de lutar durante décadas para renovar constantemente essa precisão.


Há mais ou menos oito anos quando comprei pastel de óleo, que eu nunca usara, lembro-me de ter visto, com consecutivos avanços no play, uma meia dúzia de vídeos no youtube. Aborreci-me rapidamente dos vídeos e virei-me para a experimentação. E embora não tenha progredido muito com o pastel, uso-o de vez em quando para desenhar; gosto particularmente dos resultados de cor.


Quando comecei a usar o pincel e óleo simplesmente comecei. As pesquisas que fiz foram sobretudo em publicações escritas sobre o comportamento da tinta e aditivos. Fui percebendo conforme fui pintando, mudando de pincéis, mais suaves, mais ásperos, mais largos, tinta mais diluída, mais espessa, espátula, etc..


Nestes anos de trabalho experimental (e esporádico) fiz uma progressão que julgo expectável dada a minha natural curiosidade e persistência. A figuração humana sempre foi o meu impulso e sobre isso não há (pelo menos por agora) nada a dizer.


Após sete anos de tintas penso que a prática que tenho feito em torno das formas e do desenho tem sido sempre muito espontânea e feliz, já a que tenho feito na utilização da luz tem sido mais sofrida [como explicado aqui].

Se no desenho continuo em bruto, na tridimensionalidade ainda mais. Mas penso que posso assumir com naturalidade que a expressão das minhas personagens se faz bem através das formas e do desenho. O resultado do meu último trabalho confirma-o. Agradavelmente.


"Disseram-me um dia Rita põe-te em guarda |aviso-te, a vida é dura põe-te em guarda |cerra os dois punhos e andou põe-te em guarda |eu disse adeus à desdita |e lancei mãos à aventura |e ainda aqui está quem falou"

[Balada da Rita, Sérgio Godinho]


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